Documentários produzidos na China por estudantes brasileiros da USP estreiam em solo brasileiro
Publicado em 18/09/2026
No dia 24 de setembro de 2026, às 19h, acontece a Sessão Looking China 2026 promovida pelo Centro USP-China, com a estreia de dois documentários produzidos por alunos de Audiovisual da Universidade de São Paulo neste ano, no âmbito do programa Looking China Youth Film Project.
Uma iniciativa da Academia de Comunicação Internacional da Cultura Chinesa (AICCC), parte da Universidade Normal de Beijing, o programa Looking China convida anualmente escolas de cinema do mundo inteiro a enviarem seus alunos para a China, para gravarem documentários curta-metragem (de duração de aproximadamente 10 minutos), com o auxílio de um produtor chinês, também estudante. Os estudantes estrangeiros são selecionados e iniciam a pré-produção dos filmes meses antes da viagem, quando realizam toda a filmagem e pós-produção num período de 17 dias.
Os temas variam a cada edição, mas os documentários, em geral, destacam algum elemento importante para a cultura e/ou espiritualidade chinesa; seja uma prática, como um gênero musical ou algum tipo de artesanato tradicional; ou um local, como um templo milenar, paisagens deslumbrantes ou uma rua histórica. Há uma grande ênfase em como essa cultura é passada de geração em geração, sua relevância para a história chinesa, ou simplesmente no dia-a-dia das pessoas que vivem em diferentes províncias chinesas.
Sob a coordenação da Profa. Dra. Cecília Mello, o Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da USP tem sido um parceiro do programa desde 2016. Até o momento, 27 filmes foram produzidos por alunos do curso de Audiovisual, e, neste ano, Laisa Pinheiro e Pedro Tamas produziram documentários na província de Qinhai, no centro-oeste do país.
Leia, a seguir, as sinopses dos dois filmes que serão exibidos, junto de relatos pessoais dos diretores sobre as suas experiências na China:
Rua Daxin:
Em Xining, na China, a rua Daxin se transforma quando a noite cai. Da montagem das barracas ao movimento intenso da noite, o filme acompanha o ritmo dos vendedores que dão vida ao lugar e revela histórias que atravessam o mercado, compondo um retrato sensorial da vida noturna da Rua Daxin.
Relato de Laisa Pinheiro:
Apesar de não conseguir entender o que as placas dos lugares diziam, a barreira da linguagem não foi tão difícil quando eu temia. Claro que, em grande parte, graças à tecnologia de tradução simultânea, mas principalmente pela boa vontade das pessoas, em especial da minha produtora. 90% da minha boa experiência foi graças a Zhang Shuyu. Ela estava no meio das provas finais e mesmo assim conseguia estar sempre ao meu lado: nas filmagens do agitado mercado noturno, em uma dúvida boba num inglês desajeitado e em ótimos tours culinários por Xining. Foram dias muito bons.
Ao contrário do que pensei, me senti muito à vontade a maior parte do tempo, tanto em Xining quanto em Pequim. Achei os chineses bem parecidos com os brasileiros em relação à receptividade. Tirei muitas fotos em Xining porque os chineses ficavam curiosos com o meu tom de pele, ganhei até o apelido de celebrity da Zhang.
Fazer parte do Looking China 2026 foi pra mim uma realização em muitas frentes: fazer um filme em poucos dias, praticamente sozinha, ao mesmo tempo que se conhece um novo lugar, uma nova cultura, novos sabores… Essa experiência serviu para potencializar a realizadora audiovisual em formação que sou, mas também para presentear a menina que fui, aquela que decidiu fazer cinema porque queria ver suas histórias exibidas na tela grande.
Onde as Montanhas Cantam:
No coração do Geoparque Nacional de Kanbula, há a Vila Jianzang, um lugar marcado por magníficas paisagens, relações harmoniosas entre humano e natureza, e um tesouro cultural nacional: a Ópera Tibetana — uma expressão milenar de arte, fé e valores que continuam sendo tradicionalmente transmitidos de geração em geração. O documentário retrata três diferentes gerações de artistas e suas relações com o espetáculo de ópera Zhimei Gengden, enquanto eles se preparam para uma performance especial.
Relato de Pedro Tamas:
O Looking China foi, para mim, um contato direto com a imensidão do mundo e da subjetividade humana.
Acima de tudo, testemunhei que a conexão interpessoal acontece muito além da linguagem falada e das convenções sociais, exigindo das partes nada além de respeito e curiosidade.
Estabelecer relações com perpetuadores de uma cultura tibetana milenar e ter a honra de também eternizar essa preservação em um filme foi, sem dúvidas, uma das experiências mais especiais da minha vida.
Após a exibição dos dois filmes, haverá um debate entre o público, os dois diretores e também a Profa. Dra. Cecília Mello, professora do curso de Audiovisual, especialista em cinema chinês e ex-supervisora do programa Looking China; além do documentarista Pedro Nishi, professor supervisor do programa, que acompanhou os dois estudantes e, anteriormente, já produziu 3 documentários no Looking China.
O evento acontecerá no Auditório A do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Prédio 4 – Butantã, São Paulo), no dia 24 de setembro, às 19h.
Ainda no mês de setembro, iniciaremos a Mostra Itinerante Looking China, que leva filmes anteriores do programa, feitos por estudantes brasileiros, para outros campi da USP: EACH (USP Leste), Piracicaba, São Carlos e Pirassununga. Em breve, divulgaremos mais detalhes.
Um evento do Centro USP-China, em parceria com a Escola de Comunicações e Artes e o Looking China Youth Film Project
Concepção: Cecília Mello
Curadoria e organização: Cecília Mello, Esther Marinho Santana, Sheila Tanaka e Gustavo Lacerda